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19/03/2014
Celebrações de São José

História

Paróquia São José 1942-2012

Catedral São José
A região onde se encontra a Paróquia São José de Campo Mourão foi, ao longo dos séculos, um território de passagem e paradas dos indígenas e colonizadores portugueses e espanhóis. As diversas nações indígenas que habitavam a região dos grupos tupis, crêns e gês, na grande maioria nômade, vivendo da caça e da pesca, com pouca estrutura de cultivo da terra e produção artesanal, e estilo vida ainda muito rudimentar, passou a ter contato com a civilização européia já no início do século XVI.
Primeiras notícias relacionadas à visita do colonizador português ao território paranaense estão relacionadas às expedições enviadas pelo donatário da Capitania de São Vicente e comandada por Francisco Chaves e Pero Lopes em 1532, em busca de riquezas. A região, por estar cruzada pela linha imaginária do Tratado de Tordesilhas que dividia a América em duas partes e senhorios ibéricos, também desbravada pelos colonizadores espanhóis, em duas frentes: do litoral português partiu, em 1541, Álvaro Nuñes Cabreza de Vaca para assumir o governo do Paraguai; de Assunção, foram enviados colonos pelo governador paraguaio Martinez de Irala, em 1553. Resultado destas entradas coloniais foi a fundação em 1570, por Ruy Dias de Melgarejo, do povoado Vila Rica do Espírito Santo, situado no atual município de Fênix.
O território paranaense limitado pelo Tratado de Tordesilhas ao leste, pelo rio Paraná ao oeste, fazia fronteira com a Província do Tape (atuais estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e Província do Itatim (oeste de São Paulo e Mato Grosso do Sul), chamava-se durante todo o período colonial de Província Guairá, pertencente à governação do Paraguai e ao Vice-Reino do Peru, sob concessão pontifícia, terras do senhorio da Monarquia Hispânica. Tratava-se de uma região populosa, tierra de índios, rica de grandes rios, descrita pelos colonizadores como lugar de gente cruel e feroz.
A evangelização da Província Guairá acompanhou o processo de ocupação e colonização espanhola. Desde a fundação da Diocese de Assunção, em 1547, missionários, ainda que escassos, foram designados para o atendimento dos colonos e índios da região. Em 1589, os missionários jesuítas Manuel de Ortega e Tomás Fields foram enviados a fazer visitas missionárias aos povoados de Cidade Real, Ontiveiros e Vila Rica do Espírito Santo, onde foi erigida casa dos padres e igreja. Mas foi em 1609, depois da fundação da Província Jesuítica do Paraguai, em 1607, que o território guairenho recebeu grande atenção missionária. Em 1609, os jesuítas italianos José Cataldino e Simão Masseta foram enviados ao Guairá por determinação do bispo de Assunção, frei Reginaldo de Lizarraga, do governador do Paraguai, Hernandarias de Saavedra e do provincial dos jesuítas, padre Diego de Torres Bollo.
A presença dos missionários da Companhia de Jesus na Província Guairá, entre os anos 1609 a 1631, marcou um dos momentos mais importantes da história da evangelização entre os guaranis. Foram 23 missionários, neste período de tempo, que contribuíram com ousadia missionária na missionarização dos indígenas e atendimento aos colonos espanhóis dos 3 povoados. Entre os indígenas, sob a coordenação do padre Antonio Ruiz de Montoya, os missionários fundaram pelo território guairenho treze reduções de índios, às margens dos rios Paranapanema, Tibagi, Ivaí e Piquiri. O processo de evangelização foi interrompido quando da invasão das bandeiras paulistas a procura de mão-de-obra indígena para o trabalho no território do Brasil. Em 1632 tanto as reduções indígenas como os povoados espanhóis estavam destruídos e a Província Guairá com os seus habitantes dizimados, aprisionados, fugidios e transferidos para outras regiões da governação do Paraguai.
Após quase 300 anos a região noroeste do agora Estado do Paraná começa novamente a ser ocupada pelos colonos. Em 1903, com as famílias de José Luiz Pereira, Antonio Luiz Pereira, Cesário Manoel dos Santos e Bento Gonçalves de Proença vão chegando os primeiros desbravadores da região. Entre os anos 1909-1910 os padres Francisco Vedder, João Porgseb, Paulo Schneider, Paulo Tschorn (os sobrenomes são difíceis de compreender na escrita do Livro Tombo paroquial), começam a realizar constantes visitas pastorais, provenientes de Ponta Grossa, depois de Guarapuava e, em seguida, de Pitanga. Em 1933, o bispo de Ponta Grossa, Dom Antonio Mazzarollo realiza a primeira visita na região de Campo Mourão. Em 1940 começam as visitas do padre Aloysio Jacobi e de Dom Manoel Köener, bispo prelado de Foz do Iguaçu, no território pertencente ao vilarejo de Campo Mourão, que foi elevado à condição de paróquia no dia 8 de dezembro de 1942, sendo primeiro pároco o próprio padre Aloysio.
No dia 7 de setembro de 1943 foi lançada a pedra fundamental da igreja paroquial no lugar onde se encontra hoje, cuja missa inaugura deu-se no mesmo dia, um ano depois, que segundo o padre Aloysio a população constava de “900 católicos e 100 acatólicos”. Em 1945 o padre provincial dos Verbitas, Alexandre Janser, devido ao fato do isolamento e dificuldades em Campo Mourão, pede ao padre Aloysio que deixe a paróquia e vá residir em Pitanga. O fato não se concretizou e o missionário continuou seu incansável trabalho visitando as famílias e comunidades, a cavalo ou a pé, por toda a região noroeste. Neste mesmo ano deu-se início à construção da casa paroquial.
Segundo os relatos do padre Aloysio a visita pastoral às comunidades duravam de dois a três meses, percorrendo um imenso território. As principais comunidades relacionadas, na década de 40, eram: Sertãozinho (Santa Cruz), Água Doce, Vila Rica, Roncador, Cancam (Mamborê), Barras, Km 123, Rio da Vargem, Farol - Pinhalão, Rio 31, Km 131, Estiva, “Ibitil”, Araruna, Km 142, Santa Maria, Paulista, Bairro Aparecida, Lisete, Macacos, Rio Claro, Pensamento, Peabiru, Ivailândia, Campina, Engenheiro Beltrão. A primeira missa em Peabiru deu-se no dia 31 de maio de 1947, na casa do senhor Simão Moreira.
No dia 5 de dezembro de 1947, segundo o padre Aloysio, deu-se a instalação da Câmara Municipal de Campo Mourão e posse do primeiro prefeito, Pedro Viriato de Souza Filho. Campo Mourão constava de um população de “18 mil católicos e 1 mil acatólicos”. No ano seguinte, no dia 12 de julho, o município recebe a visita do governador do Paraná, Moisés Lupion. No mês de abril de 1949 deu-se início a construção do Colégio Santa Cruz, preparando a chegada das primeiras Irmãs Vicentinas, Marta Klein, Cecília Hechark e Terezinha Maria Bertal, no dia 14 de fevereiro de 1950. A inauguração do colégio foi no dia 7 de maio de 1950. Ano em que o governador Lupion inaugurou a luz em Campo Mourão, no dia 17 de agosto. A década encerra-se, segundo padre Jacobi, tendo o município de Campo Mourão uma população estimada em “30.000 católicos, 3.000 acatólicos”.
O ano de 1951 começa com a atuação do novo governador do Estado do Paraná, Bento Munhoz da Rocha Mello, e o trabalho pastoral está voltado à edificação de igrejas nas comunidades de Araruna, Macacos, Roncador e Engenheiro Beltrão. No dia 9 de setembro, afirma o padre Aloysio: “Fui com avião para celebrar na futura cidade Rondon a primeira santa missa. Foi colocada nesta ocasião a pedra fundamental da cidade Rondon”. Após algumas promoções, a paróquia consegue adquirir um jeep para o serviço pastoral (chegada 1 de dezembro de 1951). Ao concluir o ano o município consta de uma população estimada em “42.000 católicos, 8.000 acatólicos”. Antes da criação da Paróquia São João Batista, de Peabiru, no dia 23 de fevereiro de 1953, além das comunidades já mencionadas, a Paróquia São José atendia as comunidades de Riozinho, Barreiro Oeste, Muquilão, Barbosa Ferraz, Rondor, Tuneiras, Cruzeiro, Jussara, Figueira, Tapejara e Neves, entre outras.
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